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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Propostas da Maria do Rosário

  • Compromissos para uma Porto Alegre de novo na frente
  • Melhorar a saúde
    • Criar Centros de Especialidades em Saúde para acabar com as filas e esperas por consultas com especialistas e por exames.
    • Ampliar a Rede Básica de Saúde, com mais Equipes de Saúde da Família em toda a cidade.
    • Implantar o Hospital da Restinga e o Pronto Socorro da Zona Sul.
  • Acolher as pessoas, cuidar de Porto Alegre
    • Abrir Centros de Apoio Psicosocial (CAPS) para atender quem quer se livrar das drogas, os portadores de sofrimento psíquico e apoiar também suas famílias.
    • Qualificar a estrutura e o atendimento dos Conselhos Tutelares de Porto Alegre para proteger as crianças e adolescentes em situação de rua e as vítimas da violência.
    • Reduzir a pobreza, em parceria com o programa federal Bolsa Família, e desenvolver programas de recolocação no mercado de trabalho.
    • Integrar as ações de assistência social, educação, saúde e geração de renda para apoiar as famílias no cuidado com seus filhos, atender os idosos e garantir direitos às pessoas com deficiência.
  • Porto Alegre segura
    • Maior presença da Guarda Municipal na proteção das pessoas.
    • Ampliar a rede de iluminação pública na cidade, sem pontos às escuras como hoje.
    • Instalar câmeras com sistema de acompanhamento na frente das escolas, parques, paradas de ônibus e o centro da cidade como um todo.
    • Implantar Áreas Integradas de Segurança Pública, onde a prefeitura articula a prevenção e o combate à violência junto com a comunidade.
  • Mais creches, mais educação
    • Ampliar vagas de educação infantil em turno integral na rede municipal e nas creches comunitárias para crianças de até seis anos.
    • Investir na qualidade para o pleno desenvolvimento infantil.
    • Desenvolver um amplo programa de atendimento para os alunos do ensino fundamental com atividades complementares de aprendizagem, cultura, esporte e lazer no turno em que não estão dentro da sala de aula.
  • Juventude de futuro
    • Implantar Escolas Técnicas em diferentes regiões de Porto Alegre, em parceria com o Governo Federal, oferecendo ensino e formação profissional para a juventude.
    • Cobrar a responsabilidade do governo do estado de manter escolas de ensino médio em toda a cidade
  • Mais empregos, mais desenvolvimento
    • Agir para que Porto Alegre se estabeleça como Pólo Nacional de Saúde e como Parque Tecnológico.
    • Buscar a municipalização do Porto, reativar o Cais para a atividade portuária e desenvolver a área próxima à Usina do Gasômetro para promoção cultural, de lazer e turismo, gerando emprego e renda.
    • Criar a Agência Metropolitana de Desenvolvimento.
  • Qualificar o transporte por ônibus, construir o Metrô
    • Iniciar a construção do Metrô em parceria com o Governo Federal.
    • Melhorar imediatamente a qualidade do transporte coletivo, com mais horários e menos atrasos.
    • Integrar o sistema de transporte de Porto Alegre, da região metropolitana, com passagem única.
  • Porto Alegre cidade do mundo e da participação
    • Lutar pelo Fórum Social Mundial em Porto Alegre.
    • Inovar e qualificar o funcionamento do Orçamento Participativo, dos Conselhos Municipais, inclusive com o OP Digital.
    • Promover a capital como Pólo de Eventos e referência mundial de democracia participativa.
    • Realizar a Conferência Mundial de Meio Ambiente e Cidades Sustentáveis.
    • Porto Alegre cidade da diversidade, da inclusão e do respeito às diferenças.
  • Habitação é prioridade
    • Priorizar a reforma urbana. Implantar programas habitacionais com construção de moradias, regularização fundiária, transporte com qualidade, desenvolvimento comunitário e geração de renda.
  • Ambiente saudável, Guaíba limpo
    • Concluir as obras do Programa Sócio-Ambiental, que irá despoluir o Guaíba devolvendo a praia de Ipanema e a orla para o lazer dos porto-alegrenses.
    • Implantar o projeto EcoParque Porto Alegre que integra reciclagem e tratamento dos resíduos para geração de emprego, renda e energia elétrica.
    • Garantir a coleta seletiva em toda a cidade, qualificar e ampliar os galpões de reciclagem.
    • Desenvolvimento ambientalmente sustentável é prioridade.
  • Cultura por toda a parte
    • Recuperar e manter públicos os espaços culturais da cidade, como o Auditório Araújo Vianna, a Usina do Gasômetro, os teatros e museus.
    • Fomentar a inclusão e diversidade cultural.
    • Descentralizar a cultura e criar centros culturais permanentes nos bairros.
    • Valorizar as manifestações culturais, como o tradicionalismo, o hip-hop e o Carnaval, concluindo o Complexo Cultural do Porto Seco.
  • Esporte para todos
    • Preparar a capital para a copa do mundo de 2014.
    • Valorizar os clubes e associações de esporte amador de Porto Alegre.
    • Promover a prática esportiva em todas as idades, como forma de inclusão e convívio social, nos parques, praças e espaços públicos.
  • Ousadia na gestão, Prefeitura 24 horas
    • Implantar o atendimento 24 horas nos serviços da Prefeitura de Porto Alegre. Determinados serviços não podem esperar para o outro dia.
    • Democratizar o acesso à prefeitura através do governo eletrônico, via internet.
    • Respeitar e valorizar os servidores públicos municipais, estabelecendo metas comuns de gestão e dando condições de trabalho para o melhor atendimento da população.
http://www.mariadorosarioprefeita.com.br/controller.php?action=17&eleicoes_2008_porto_alegre_proposta

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Propostas da Vera Guasso

Vera Guasso pretende administrar com o movimento popular

11/8/2008
Por Guilherme Kolling, João Egydio Gamboa e Paula Coutinho (Jornal do Comércio)

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) tem 1.800 filiados no Rio Grande do Sul. Cerca de 200 são militantes ativos. A mais aguerrida é, possivelmente, a candidata à prefeitura de Porto Alegre Vera Guasso. Ela é presidente do partido no Estado desde que a sigla foi registrada, em 1994.
Esta é a segunda vez que disputa o paço municipal - a primeira foi em 2004. Também se candidatou à vereadora, em 1996, à deputada estadual, em 2002 e à senadora em 2006 - foi sua participação mais expressiva, recebeu 50 mil votos em todo o Estado. Antes, na década de 1980, foi duas vezes candidata a deputada estadual pelo PT, partido do qual foi expulsa, no início dos anos 1990.
Na segunda entrevista da série com prefeituráveis de Porto Alegre, o Jornal do Comércio apresenta as idéias de Vera Guasso. Ela admite que é difícil ganhar a eleição sem uma coligação, mas não faz concessões. "Não vendemos nosso programa para nos elegermos", explica. Suas propostas são atuar com prevenção na saúde, mobilizar a população para melhorar a segurança e contar com a base do movimento popular para governar a cidade.

Jornal do Comércio - É possível vencer uma eleição sem uma coligação maior?
Vera Guasso - É muito difícil. Mas o PSTU é um partido programático. Não somos uma sigla de aluguel, como muitos partidos que vemos. Também não vendemos nosso programa para nos eleger. A eleição tem que ser conseqüência. Claro que queremos ter vereadores em Porto Alegre. Aliás, já poderíamos ter. Júlio Flores (PSTU) fez 5,5 mil votos, foi o trigésimo mais votado na eleição passada. Não foi eleito por conta do famoso coeficiente eleitoral.
JC - A senhora acha justo esse critério?
Vera - Completamente anti-democrático. Elegem-se pessoas, às vezes, com 1 mil votos, menos do que isso em Porto Alegre. Poderíamos ter vereadores. Mas temos que enfrentar o poder econômico. O PSTU talvez seja o único partido que não aceita dinheiro de empresários. Tem um ditado que a gente segue: "Quem paga, pede a conta depois". Não queremos ficar devendo para ninguém. Temos responsabilidade programática com os trabalhadores, com a juventude, com o povo pobre. Temos essa dificuldade financeira.
JC - As campanhas estão cada vez mais caras...
Vera - Sim. A gente chama de BBB. Quem faz um programa mais bonito, mais colorido, aquela empáfia toda, de quem tem o marqueteiro mais conhecido.
JC - Sem representação na Câmara de Vereadores, como a senhora pretende administrar Porto Alegre?
Vera - A administração deve contar com o movimento popular e social. É fundamental. Não teríamos derrubado a ditadura se não tivéssemos ido para as ruas. Não teríamos uma legislação trabalhista, por menor que seja, se não tivesse a luta social. Com mobilização social, com conselhos populares, com o povo sendo chamado para discutir, teremos uma administração que vai andar, que vai realmente por em prática um programa que beneficia a maioria da população de Porto Alegre.
JC - Não há uma afinidade com com o P-Sol? Por que não houve aliança?
Vera - Estivemos juntos em várias lutas e experiências programáticas com o P-Sol. A luta contra a reforma da Previdência nos uniu. No ano passado, fizemos uma marcha a Brasília com o movimento sindical. O que está nos separando nesta eleição - embora achemos que a esquerda tenha que se dividir - é a coligação do P-Sol com o PV, o que para nós é inadmissível. Queríamos repetir a Frente de Esquerda de 2006 em Porto Alegre, com P-Sol, PCB e PSTU. Fizemos um esforço. O problema é que o P-Sol escolheu um partido que não é aliado da causa dos trabalhadores. O PV está no governo Lula. Inclusive o candidato a vice do PV foi da prefeitura de José Fogaça. Teve um cargo de subsecretário no início do governo. Estamos com o PCB, porque não abrimos mão da independência política de partidos de aluguel, que estejam em aliança com o governo Lula ou com os setores da burguesia.
JC - O PSTU tem poucos militantes, mas são bem ativos. Há poucos anos, em qualquer manifestação contra FMI, fora FHC, Bush ou até contra o aquecimento global havia ativistas e bandeiras do partido. Hoje não mais. O que houve?
Vera - Estivemos recentemente no "fora Yeda". Participamos em 2007 da luta pela Previdência, contra as reformas. Fomos a Brasília há 15 dias, na luta para a educação. Estamos na luta social e estudantil. Se não tiver a luta social por trás, teremos problema.
JC - Quais os problemas de Porto Alegre? A senhora tem um programa de governo?
Vera - Estamos discutindo. Somos um partido programático, usamos a eleição como debate. Uma boa parte da população não tem direito à saúde. Outro problema gravíssimo é a questão da consulta a especialistas. Principalmente entre o povo mais pobre que precisa desse atendimento e não consegue. Então, defendemos, primeiro, a prevenção. Mais postos de saúde, assim como os postos 24 horas. É inadmissível vir da Restinga para ir ao Pronto Socorro. O governo Fogaça é vergonhoso, pois não usou nem a verba que tinha. Conseguiu piorar as coisas que já estavam ruins. Na educação, achamos que a questão prioritária é o problema da educação infantil.
JC - O governo José Fogaça rebate que construiu dezenas de novas creches.
Vera - O problema é que o déficit é muito grande. Tem que ver quantas vagas são. A necessidade aumenta com o crescimento da população. Já tínhamos um déficit. Na educação de ensino fundamental, há uma perda no sentido pedagógico. É um retrocesso, achamos que é necessário retomar um debate pedagógico na escola, porque hoje ela é o resultado de toda uma crise social. Há agressividade nas crianças, violência, drogas.
JC - Na área da segurança, a senhora é a favor de armar a guarda municipal?
Vera - Não é preciso mais armamento. O foco é social. Nesse sentido, o que é decisivo é emprego, saúde e educação pública de qualidade. Como se faz emprego? É possível qualificar pessoas desempregadas para cumprir tarefas iniciais em obras públicas, na construção civil, um setor que está crescendo muito. Defendemos uma nova estrutura na segurança.
JC - Como seria?
Vera - As comunidades podem fazer sua segurança, organizar um mecanismo nos próprios bairros, nas vilas. Defendemos a criação dos conselhos populares, diferentes do Orçamento Participativo. Através dos conselhos, a população se organiza e inclusive discute todo o orçamento.
JC - Como funcionaria uma reunião desses conselhos populares?
Vera - Cada bairro vai definir a sua maneira. Com pessoas que estão ali, que conhecem a população, que sabem quem são os moradores. É um mecanismo para ajudar as pessoas a lutar por um posto de saúde, a lutar por uma creche. É demagogia, por exemplo, dizer que vamos resolver o problema dos moradores de rua, se não dissermos que vai ter emprego e políticas públicas que envolvam essas pessoas, que tirem elas e seus filhos da esquina, da criminalidade. Outra questão que vamos abordar é o problema do transporte. Defendemos um transporte público de qualidade.
JC - O transporte de Porto Alegre é considerado um dos melhores do Brasil.
Vera - Mas tem um preço caro. A Carris é um exemplo de que o transporte na Capital poderia ser todo municipalizado. Isso garantiria o barateamento da passagem, para dar passe livre para estudantes, desempregados e idosos. Há também o projeto do metrô. A maioria das Capitais já está em processo de construção. Se tivermos um metrô e um ônibus mais baratos, dá para diminuir o número de carros na rua, facilitando o trânsito na cidade.
JC - Qual sua opinião sobre a lei que determina o fim das carroças em oito anos?
Vera - É preciso dar alternativas para essas pessoas. Isso é um trabalho, não é brincadeira. Afinal, quantas árvores, no caso do papel, deixamos de derrubar? Quantos plásticos vamos deixar de colocar nos riachos e no Guaíba com esse material reciclável? Mas tem que dar garantia para se tirar as pessoas e os animais dessa situação em pleno século XXI.
JC - Com tão pouco tempo na televisão, 1 minuto e 9 segundos, e poucos recursos, como a coligação vai divulgar as propostas ao eleitor?
Vera - É um malabarismo. Já tivemos 20 segundos na televisão. Então, 1 minuto e 9 segundos vai ser um latifúndio bem produtivo. O tempo é curto realmente, mas é possível apresentar nossas principais propostas. Tem gente que usa 10, 15 minutos em televisão com aquelas musiquinhas... A gente panfleteia nos locais de trabalho, nas entradas das escolas, na Esquina Democrática, na Redenção, nas vilas, no corpo a corpo. É desigual, mas a gente enfrenta. Mas uma coisa é um contra-senso, falta de democracia. As redes de televisão e de radio não estão nos chamando para o debate. Dizem que é a regra eleitoral. A regra não diz que não podemos ir. Eles na verdade usam uma regra inversa. A justiça eleitoral diz que é obrigatório convidar quem tem representação parlamentar, mas não significa que nós não podemos estar. A única candidatura em Porto Alegre que não está no debate somos nós. Defendemos que todos os candidatos têm direito, pois televisão e rádio são concessões públicas.
JC - Como avalia a estrutura da máquina pública no município? Pretende reduzir secretarias e CCs?
Vera - Quanto às secretarias, é possível dar uma reorganizada. Temos que juntar umas, resolver outras, enfim, reestudá-las. A questão dos CCs é vergonhosa. Como sou sindicalista, conheço por dentro a situação. Hoje tanto as secretarias como as empresas públicas estão sendo usadas como facilitadoras, como empregadoras de indicados pelos partidários da prefeitura. Os estagiários, por exemplo, vão cumprindo o período máximo de dois anos e depois vão para uma empresa terceirizada ou ganham um CC. Funciona como cabide de empregos. E isso não começou com o Fogaça, começou na administração petista. É um mecanismo dos partidos de administrar uma forma de privilégios. Defendemos praticamente o fim dos CCs, que devem ser 10% do total de servidores.
JC - Mas a senhora vai substituir o CC por funcionário de carreira?
Vera - Tem que ter contratação através de concurso público. A maioria das secretarias tem necessidade de pessoal. O trabalhador de carreira faz um trabalho para atender à população. Na prefeitura há muitos servidores com a formação técnica e úteis ao serviço público. Vamos chamá-los para discutir projetos e fazer parte da administração.
JC - Um dos temas em destaque é a questão da orla do Guaíba. Qual a sua visão sobre isso?
Vera - Logo que terminou a construção da avenida Beira Rio, o governo Collares tinha um projeto de fazer espigões e hotéis, que acabou, felizmente, sendo derrotado. A orla do Guaíba deve ser da cidade, pública, e não privada. Há pouco vimos o projeto do Pontal do Estaleiro que prevê espigões, shopping center, barrando a ventilação da cidade. O Guaíba tem que ser público, com a participação da população, como a ponta do Gasômetro, onde as famílias vão nos finais de semana. E no Cais do Porto tinha um projeto que previa um pólo de cinema. Não se ouviu mais falar disso.
JC - Essa sua preocupação entraria no Plano Diretor?
Vera - Essa é uma disputa de peixe grande. Achamos que é possível ouvir os interessados, a população. Aproveitaríamos a preservação de moradia, de qualidade de vida. Estão ouvindo só o poder econômico, que manda, que tem botado dinheiro para eleger os prefeitos de Porto Alegre. É parecido com outro debate, porque não tem data, o da travessia Porto Alegre-Guaíba por barco. Faz 15 anos que a gente escuta a conversa de que seria mais barato, mais rápido e mais seguro.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Propostas do Onix


Política


Mano Changes defende educação em turno integral

6/8/2008



O deputado estadual Mano Changes foi o escolhido pela coligação Porto Futuro Alegre (DEM/PP/PSC) para ser o candidato a vice-prefeito de Onyx Lorenzoni. Conhecido por sua atividade de músico, o parlamentar está no primeiro mandato. Para ele, a vivência político-partidária está sendo de aprendizado - Changes é filiado ao PP há três anos. "Sei que tenho muito a aprender e estou disposto a isso. A cada dia vou me preparando para contribuir cada vez mais para Porto Alegre".
Na primeira entrevista com candidatos a vice-prefeito de Porto Alegre, o Jornal do Comércio apresenta as idéias de Mano Changes. O parlamentar faz questão de enfatizar que não mudou seu perfil depois que ingressou na Assembléia. "As pessoas que acreditaram em mim esperam que eu que não 'fique careta'. Entrei na política com o slogan 'Chega dos mesmos'. Quer dizer, chega de fazer política do mesmo jeito, com ranço", explica.
Afinado com Onyx, o deputado demonstra conhecimento sobre os programas para saúde, segurança e planejamento urbano. Mas tem uma bandeira própria: a educação integral. "Não quero ser papagaio-de-pirata. Vou trabalhar pela integração do morro com o asfalto e buscar melhores condições para a juventude", garante Mano, que pensa em coordenar a área de conexão social da prefeitura.

Jornal do Comércio - Como foi seu ingresso na política?
Mano Changes - Sempre tive dom para falar. Nunca escrevi um discurso, falo o que penso, com o coração. Vi a falta de representatividade do jovem. Se hoje um terço do eleitorado é jovem, metade está apto para o mercado de trabalho e não tem oportunidade. Uma das causas é a falta de representatividade política.
JC - Além de vice-prefeito, o senhor pretende assumir alguma secretaria?
Mano - A gente sempre ouve o discurso da integração das secretarias e isso nunca ocorre. Este é o diferencial do nosso projeto. Teremos reuniões periódicas com o secretariado. Então, não há necessidade de assumir uma secretaria. A educação integral, mais do que uma secretaria, precisa da ligação com o eixo social, para que eventos, como os da Secretaria de Esportes estejam ligados aos da Educação, assim como da Juventude e do Meio Ambiente. Com isso, há um resultado mais abrangente.
JC - E no meio cultural?
Mano - Aquele que recebe incentivo do governo tem que reverter isso para a educação integral, fazendo palestras e oficinas de música nas escolas. A Secretaria da Juventude, quando faz um evento, deve priorizar a periferia. Com isso, se cria uma cadeia que estimula aquele jovem. A mesma coisa com esporte, por que não ter as olimpíadas estudantis das escolas municipais?
JC - Qual será seu papel na prefeitura?
Mano - Vou coordenar esta conexão social entre o morro e o asfalto. Na Assembléia, fizemos um trabalho mostrando os benefícios da educação integral. Escola é lugar para se falar de inclusão digital. A internet é um mercado que em 2005 já movimentava US$ 10 trilhões, 15 vezes mais que o orçamento da União. Temos que ensinar para a gurizada como ganhar dinheiro com a internet. A Índia está fazendo isso, por que não se pode fazer? Mas tem que investir e tornar a escola um lugar atrativo. O desinteresse é forte, pois a escola hoje é a mesma em que estudou meu pai, em que eu estudei. Espero que não seja a mesma em que o meu filho vai estudar.
JC - Que outros problemas de Porto Alegre devem ser debatidos na campanha?
Mano - Temos que parar de virar as costas para o rio, nosso maior patrimônio. Precisamos ver o potencial turístico disso. O porto, por exemplo, poderia alocar oficinas de inclusão digital. As oficinas digitais poderiam resultar num canal de tevê pela internet para mostrar os resultados dos projetos das oficinas. O projeto Caminhos da Beira, que é de revitalização, também incide sobre a segurança pública. Há ainda o fortalecimento da Guarda Municipal. Tem espaço para mudar o Plano Diretor na questão do Cidade do Futuro, perto do aeroporto, criando um novo centro. Existe uma linha de metrô. Vamos melhorar e fazê-la pela metade do preço e abrangendo uma densidade populacional mais alta. É preciso planejar para o futuro.
JC - De onde tirar recursos para todos esses projetos?
Mano - Das parcerias com a iniciativa privada. Quem não vai querer adotar o espaço da orla?
JC - O que o senhor está achando da atividade política?
Mano - Gosto da oportunidade para colocar minhas idéias em prática. Pude representar a Assembléia na posse da diretoria da Fiergs. Gostei do discurso do vice-presidente José Alencar. Ele falou sorrindo no meio empresarial, que é sisudo. Divertiu as pessoas sem deixar de colocar suas idéias. Disse para ele que fiquei contente, pois também faço política sorrindo e era bom ver que o vice-presidente fazia isso. Muitas vezes, por ser um cara divertido, debochado, as pessoas perguntam o que tenho a ver com política. Será que não é um pouco de sorriso que a gente está precisando? Não tenho ranço, pois sou ingênuo. Vou continuar assim.
JC - Como surgiu o convite para ser candidato a vice? O senhor pode ajudar Onyx a angariar os votos?
Mano - Sim, no momento em que temos uma proposta, um plano de governo coeso. O convite surgiu, antes de tudo, como uma questão de partido. Depois houve uma identificação entre as minhas propostas e as de Onyx, que me convidou para ser, pelo PP, o candidato a vice. Já na primeira reunião, disse a ele que não ia ser papagaio-de-pirata e coloquei a questão da educação integral como fundamental. Ele concordou. Se no final da eleição todos os candidatos estiverem falando em aproximar a escola do aluno, em educação integral, eu já me dou por satisfeito.
JC - Quais são suas credenciais para assumir o cargo de vice-prefeito?
Mano - Mãos limpas, vontade de fazer e de ouvir. Não acredito em plano de governo 100% fechado. Quando se está representando alguém, tem que se estar muito disposto a ouvir. É assim que a gente vai acabar com o crack, por exemplo. Vemos o discurso de que tem que ter mais leitos. Isso não funciona. Depois que fumou essa maldita pedra não adianta leito. Tem que atacar antes, com uma quadra de esportes, por exemplo.
JC - A escolha de seu nome é uma tentativa de neutralizar os demais "perfis jovens"?
Mano - Não estou preocupado com os outros. Espero que essa seja uma campanha prepositiva. Vejo a quantidade de candidatos jovens de forma positiva. Vi muito mais preconceito, não por ser músico, mas por ser jovem. Esse preconceito cria uma insegurança quando os jovens entram na política. Muitos mudam a forma de se expressar. Tem que ter personalidade. Preconceito se acaba com conteúdo. O povo está cansado de bate-boca. No momento em que agrego, faço isso com uma visão mais jovem da política. Entrei para a política com essa finalidade. Se tem uma coisa legal no plano de governo dos outros, vou dizer para o Onyx e eu fazermos. É esse tipo de política que é diferente. O ranço é retrógrado e os partidos têm problemas nesse sentido. A sociedade está cansada do tradicional, justamente porque o cara só tem discurso. Quero que os políticos jovens dos próximos 20 anos sejam muito melhores do que eu. E, se eles puderem ter um exemplo de ética, de persistência, já cumpri meu papel.
JC - O PP ficou três anos e meio na gestão de José Fogaça (PMDB). Não é incoerente lançar candidatura?
Mano - Não participei desta gestão. Admiro Fogaça. Vou querer sempre ser gestão em Porto Alegre, independentemente se eu for deputado, prefeito, vice. Mas quem me deu oportunidade não foi Fogaça, foi Onyx.
JC - Se fosse para apoiar Fogaça, haveria diferença?
Mano - Por mais que o PP estivesse no governo Fogaça, ele não fazia parte do núcleo, das reuniões de cúpula. Hoje, eu estou nesse núcleo.
JC - E as críticas de que o acerto DEM-PP teve base no pagamento dos gastos com programas de rádio e tevê?
Mano - Essa negociação foi entre os partidos. Mas não entraria se não pudesse ter afinidade ideológica. Tanto que isso foi a primeira coisa que disse para Onyx: não sou papagaio-de-pirata, tenho idéias e acho que a educação integral pode ser o alicerce dessa conexão social. Caso contrário, teria ficado na Assembléia.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Propostas do Onix

Projeto de Onyx destaca segurança e planejamento

4/8/2008
O deputado federal Onyx Lorenzoni, candidato à prefeitura da Capital pela coligação Porto Futuro Alegre (DEM/PP/PSC), considera a campanha de 2004 como um divisor de águas.




O deputado federal Onyx Lorenzoni, candidato à prefeitura da Capital pela coligação Porto Futuro Alegre (DEM/PP/PSC), considera a campanha de 2004 como um divisor de águas. Ele conta que ficou apaixonado pela possibilidade de administrar Porto Alegre, obstinando-se por este desafio. "Viajei pelo mundo, estudei, leio tudo que me cai às mãos sobre gestão de cidades", relata. Outra grande lição do pleito passado foi perceber a importância do diálogo com a população. "Hoje ouço muito as pessoas, vou ao encontro delas. Um prefeito tem que ser alguém capaz de unir", aponta. Ele admite que também mudou seu jeito - "Estou mais paz e amor".
A vontade de ser prefeito é tanta que até para definir seu perfil Onyx faz alusão a ex-chefes do Executivo: considera-se uma mescla de Olívio Dutra e Loureiro da Silva. "Meu lado Loureiro está em preparar a cidade para o futuro. Ele previu perimetrais e avenidas, fez a Farrapos. E o lado Olívio está ligado a ser um prefeito que caminha pelas vilas, pelos bairros, conversa com as pessoas".
Na primeira entrevista da série com candidatos à prefeitura da Capital gaúcha, o Jornal do Comércio apresenta propostas de Onyx Lorenzoni. Um de seus focos é a segurança - ele quer aumentar o efetivo da guarda municipal. Outra bandeira é o planejamento urbano. A idéia é pensar projetos para a cidade, "recuperando a capacidade de se preparar para o futuro".
Onyx não esconde que considera seu principal adversário na disputa o candidato à reeleição José Fogaça (PMDB). Ele se apresenta como uma opção para Porto Alegre, "que não seja com um passado que ninguém quer de volta, nem um presente que não correspondeu", define, ao alfinetar o PT e a atual gestão.

Jornal do Comércio - Em que consiste o projeto Caminhos da Beira?
Onyx Lorenzoni - O porto tem 3 quilômetros da ponta do Cais Mauá à Usina do Gasômetro, para o qual já tivemos vários projetos em 20 anos, barrados na dificuldade de ter três esferas de governo envolvidas: municipal, estadual e federal. Mas por que os prefeitos não lembraram da ponta do Gasômetro até a Serraria, quase 20 km de orla, que só dependem do município? É neste trecho que propomos o Caminhos da Beira. Seis marinas, em regime de concessão, usando a Parceria Público-Privada (PPP), onde teríamos bares, restaurantes, calçadão. Tudo num sistema que preserve o meio ambiente, permitindo ao porto-alegrense a interação plena com o Guaíba, nosso maior patrimônio.
JC - Para essas iniciativas é necessário estar de acordo com o Plano Diretor, que hoje tramita na Câmara Municipal. O senhor pretende retirar o projeto de revisão e encaminhar um novo, adequando-o ao seu projeto?
Onyx - Quando se trata de melhorar a qualidade de vida das pessoas, não tenho receio de uma interlocução franca. Assim vou fazer com os vereadores. Tenho certeza de que não vamos ter dificuldade de aprovar o Caminhos da Beira, seja em uma adequação ao Plano Diretor que existe ou naquele que possamos implementar.
JC - Que itens serão priorizados no Plano Diretor?
Onyx - Tenho uma visão humanista. Os agentes públicos precisam construir um caminho que proteja o ecossistema mas que também dê condição de desenvolvimento à cidade e às famílias. Temos também que dar prioridade ao Programa Socioambiental, que vai tratar 50% do esgoto lançado no Guaíba. Naveguei pela orla para identificar pontos do Caminhos da Beira e os de captação de água. Se não houver uma ação do prefeito de Porto Alegre articulada com os da região metropolitana e, particularmente, com os municípios que que lançam resíduos nos rios Gravataí e dos Sinos, não adianta só Porto Alegre fazer a sua parte.
JC - Que outros projetos o senhor destacaria do seu plano de governo?
Onyx - Vamos apresentar projetos para preparar a cidade para o futuro. Temos projetos para 30 anos. Há três eixos fundamentais: Projetos do Futuro, Caminhos da Beira e Cidade do Futuro, que dará uma nova centralidade a Porto Alegre. O centro histórico não tem mais como crescer. Será preciso uma nova centralidade. Identificamos esse ponto, entre o aeroporto e a Freeway, tendo o bairro Humaitá como limite sul e o acesso da Assis Brasil como limite norte. É uma área que está no Plano Diretor como de uso misto, praticamente sem edificações e ao lado de uma rodovia. Nesta área, as edificações poderiam ter mais altura, dando vazão ao gênio criativo dos arquitetos, empresas do setor imobiliário, gerando empregos e negócios.
JC - Como fica a questão do tráfego de veículos?
Onyx - Porto Alegre tem problemas de circulação. Dois eixos Norte-Sul mudariam a dinâmica do trânsito. O primeiro está praticamente pronto. É a ampliação da Terceira Perimetral. Entraria pela Freeway, com alargamentos e sinalização até Belém. Outro eixo seria mais ao leste: Assis Brasil, Porto Seco, Manoel Elias, Protásio Alves, Antônio de Carvalho, Bento Golçalves e Lomba do Pinheiro.
JC - E o metrô?
Onyx - Porto Alegre tem um projeto de 37 quilômetros feito por Metroplan, Trensurb e prefeitura, no valor de US$ 2,3 bilhões. Esse projeto tem um erro: quase 2 quilômetros em que é paralelo à linha atual. Todos os metrôs do mundo são dimensionados para que tenham altas densidades de cada lado. O de Porto Alegre tem baixas de um lado e, do outro, densidade alguma. Encontramos uma alternativa, de 14 km, que começa na estação São Pedro, entra por baixo da Terceira Perimetral, sai na Bento Gonçalves, vai à Azenha, rótula do Papa e dali a Borges de Medeiros. Custa menos de US$ 900 milhões. Muito menos do que os US$ 2,3 bilhões. O terreno, 90% é granítico, de execução barata e com uma vantagem adicional: liberaria a Terceira Perimetral para trânsito de veículos leves.
JC - O senhor vai manter o projeto Portais da Cidade?
Onyx - O Portais da Cidade tem que ser feito. Não é possível Porto Alegre continuar com esse volume de poluição provocada por milhares de ônibus.
JC - E a passagem única? Em quanto tempo o senhor pretende implantar?
Onyx - Levaria três meses. O valor atual, de R$ 2,10, para o trabalhador que não tem carteira assinada e está desempregado é muito caro. O trabalhador que utiliza quatro conduções (R$ 8,40), poderia alimentar uma família com esse dinheiro. Fui nas grandes redes de supermercados de Porto Alegre e comprei um quilo de arroz (R$ 1,59), meio quilo de massa (R$ 1,59), um litro de leite (R$ 1,54), e um quilo de feijão (R$ 3,89). Gastei R$ 8,11. Comem ou não quatro pessoas? Em 2004, trouxe essa questão e apoiei a candidatura de Fogaça no segundo turno. Ele assumiu o compromisso de implantar a passagem integrada. Não fez. Acreditei, como milhares de porto-alegrenses, que haveria uma mudança. Mas algumas coisas que precisavam ser mudadas não mudaram. É um governo que não correspondeu à expectativa.
JC - Qual o conceito de gestão que o senhor defende para a Capital?
Onyx - A administração deve ser ágil e oferecer dinamismo à cidade. E custar menos, reduzindo o custo tributário da prefeitura de maneira responsável e gradual. Vamos primeiro reduzir a estrutura. Não concordo que a prefeitura tenha 24 estruturas com status de secretaria. Isso é demais. Nossos técnicos falam em reduzir para 12, no máximo 14 secretarias.
JC - Quais serão as principais?
Onyx - Há algumas que a legislação obriga a manter. Estamos dando o acabamento neste projeto. Mas iremos reduzir. A gestão será corporativa, em um espaço onde vamos trabalhar juntos, colocando no mesmo salão prefeito, vice e secretários.
JC - Como funcionaria a gestão corporativa?
Onyx - Como é feito no Distrito Federal. Em um turno do dia há reuniões coletivas, resolvendo os problemas. No outro, cada um toca as questões das suas pastas. Será um modelo similar. Em um dos turnos estaremos juntos para resolver os problemas. Reúne e desfaz os feudos. A secretaria tal é do partido A, outra é feudo do partido B. Passa-se a ter um conceito de equipe. Outro passo é reduzir no máximo a um terço os cargos em comissão (CCs).
JC - O que isso significa em números?
Onyx - É uma caixa-preta. Mas seja o número que for, na transição, vamos identificar, dar publicidade e reduzir a um terço do que existe hoje. Vamos convidar funcionários públicos e motivá-los. Alguém me perguntou o que faria no primeiro dia. Vou de secretaria em secretaria para falar com os funcionários.
JC - O senhor conhece a situação dos cofres municipais?
Onyx - Temos idéia, pelos números obtidos através da nossa bancada na Câmara e dados no site da prefeitura. Quando se fala de saúde, por exemplo, são quase R$ 700 milhões.
JC - É possível implementar seus projetos já em um primeiro mandato?
Onyx - Sou candidato para um único mandato. A reeleição é um câncer da política. A cantilena de que é preciso maioria para governar não é verdadeira. Sempre que o projeto é bom e a interlocução com o parlamento é respeitosa, se aprova, mesmo sem maioria. Está aí Olívio Dutra (PT) para provar. Foi governador, tinha minoria, eu era da oposição. Mas quando as coisas foram bem construídas, com diálogos produtivos, ele aprovava. Por isso, iniciar o mandato com uma base que não termina nunca e precisa ter ocupação de espaços é, na verdade, empreguismo puro e simples. Com reeleição, já se assume pensando no domingo da eleição. Está se vendo isso em Porto Alegre. O governo que veio para mudar não mudou. Está apresentando obras nesse semestre de olho na reeleição. Assumindo o governo, serei prefeito por quatro anos apenas para que toda a equipe saiba que o dia mais importante do governo é o primeiro, depois o segundo... Serão 1.641 dias de dedicação à cidade de Porto Alegre, sem pensar em reeleição.
JC - Na questão dos impostos, onde é possível mexer?
Onyx - No primeiro ano receberemos o orçamento da equipe de Fogaça. Faremos uma análise setorial e vamos, sem dúvida, demonstrar que se pode melhorar os serviços públicos e reduzir os gastos da máquina. A partir do segundo ano de governo, reduziremos a caga de impostos.
JC - A guarda municipal deve ter poder de polícia?
Onyx - O estatuto do desarmamento já criou a possibilidade de que eles possam estar armados. O prefeito de Porto Alegre deve ter a determinação de enxugar o número de secretarias, cortar CCs, priorizar os funcionários de carreira. Isso gera uma economia. Onde vamos colocar esse dinheiro? Segurança, saúde e educação integrada. Vamos elevar a guarda municipal, que hoje tem 500 agentes, dos quais 150 com capacidade de estarem armados, para 1.500 com capacidade de estarem armados. Na rua, fazendo patrulhamento, em ação integrada com a Brigada Militar e coordenada com a Polícia. Porto Alegre tem déficit estimado de 1.980 policiais, que não é reposto. A prefeitura terá que fazer isso. O volume de investimentos previstos para este ano na Guarda Municipal é de R$ 40 mil por mês. Tinha que ser no mínimo dez vezes isso.
JC - Como o seu governo vai ouvir a sociedade?
Onyx - Primeiro, através das plenárias do Orçamento Participativo. As prioridades serão selecionadas e encaminhadas aos cidadãos, nas regiões do OP, junto com a conta de água do Dmae. Então, elas votam.
JC - Com um formulário na conta da água?
Onyx - O Dmae manda conta de água para todo mundo. Deve ter hoje 900 mil pontos de distribuição. Se 20% votarem em uma urna, colocada em agências bancárias, a representatividade será maior. O OP, com a dinâmica atual, faz a pré-seleção, mas a decisão final é do cidadão. Em um bairro, votarão 20 mil pessoas, 30 mil. Hoje, as decisões são tomadas por 2 mil, 3 mil pessoas. Valeria a mobilização, lotar de gente, levar ônibus para que a prioridade se encaixasse. Mas essa prioridade só se realiza se for o desejo da maioria silenciosa, que continua não sendo ouvida.

Pergunta do eleitor
Qual sua política para a utilização dos espaços de cultura da Capital? O senhor pretende rever a concessão a uma empresa privada do auditório Araújo Vianna?
Onyx Lorenzoni - A prefeitura deve ter protagonismo no que diz respeito ao estímulo dos novos talentos e à promoção de cidadania. Quem coordena nosso plano é uma pessoa ligada à área, Roque Jacoby, que já foi secretário estadual da Cultura. Vamos construir quatro centros com cultura, oficinas, teatro, salas de espetáculo, sala para danças, em que se vai trabalhar com esse conceito de encontrar os novos talentos, promovê-los, dar condição de que na educação integral se use as artes como forma de desenvolvimento das crianças, permitindo que a cidade tenha multiplicada suas áreas para expor aquilo que é um patrimônio na cidade de Porto Alegre: sua diversidade cultural e os talentos que afloram a cada novo momento na história da cidade. Quanto à concessão de um anfiteatro, como é o caso do Araújo Vianna, teria que ser revista. Isso pode muito bem ser trabalhado pela prefeitura, tenho que verificar em que condição se deu, como é o contrato. Sou uma pessoa que respeito os contratos, é um pilar do estado democrático de direito, e eu sou um Democrata. Mas se houver capacidade de recuperar para o município, eu trabalharia com essa lógica.
Leandro Rodrigues, empresário, morador do Centro

Perfil do candidato
Onyx Lorenzoni nasceu na Ilhota (avenida Getúlio Vargas), em Porto Alegre. Aos 53 anos, concorre pela terceira vez à prefeitura, as outras foram em 1992 e 2004. Morador do bairro Tristeza, é casado, pai de quatro filhos.
Começou sua carreira fazendo política estudantil no Colégio das Dores. Depois de se formar veterinário, pela Universidade Federal de Santa Maria, teve participação na diretoria de entidades de classe, como o Sindicato dos Médicos Veterinários. Também foi presidente da Associação Nacional de Clínicos Veterinários.
Em 1987 ingressou no Partido Liberal (PL), pelas mãos de Guilherme Afif Domingos. "Assisti a uma palestra dele em Porto Alegre, que me convidou a ingressar no partido", lembra. Ficou no PL até 1997, quando passou para o PFL, que se transformou em Democratas no ano passado.
Em seu quarto mandato parlamentar - dois como deputado estadual (1995-2002) e dois como deputado federal (desde 2003) -, Onyx foi o primeiro líder do DEM na Câmara Federal. Deixou a presidência do partido no Rio Grande do Sul para se dedicar à campanha.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Propostas do Fogaça e Adversários

Prefeituráveis apresentam propostas na Federasul

24/7/2008
Seis dos oito candidatos à prefeitura de Porto Alegre apresentaram ontem, na sede da Federasul, suas propostas voltadas à área de desenvolvimento da Capital, durante debate que durou cerca de duas horas.



Seis dos oito candidatos à prefeitura de Porto Alegre apresentaram ontem, na sede da Federasul, suas propostas voltadas à área de desenvolvimento da Capital, durante debate que durou cerca de duas horas.
Em cinco blocos distintos, José Fogaça (Cidade Melhor, Futuro Melhor), Luciana Genro (Sol e Verde), Manuela D'Ávila (Porto Alegre é Mais), Maria do Rosário (Frente Popular), Nelson Marchezan Júnior (PSDB) e Onyx Lorenzoni (Porto Futuro Alegre) tiveram a chance de expor e questionar propostas. No entanto, poucas ações foram lançadas.
Às 12h38min, o presidente da entidade, José Paulo Cairolli, abriu o evento, destacando que o objetivo da Federasul era o de obter avanços em pontos estratégicos para as associações comerciais e de serviços representadas, como comércio, mobilidade urbana, construção civil, segurança, incentivos e planejamento a longo prazo.
"Precisamos saber o pensamento claro de todos sobre questões como a necessidade de uma máquina pública eficiente. Propostas claras, concretas e exeqüíveis. O governo deve responder à cidade e estar em sintonia. Ela sabe que não existem saídas mágicas e, com certeza, não aceitará discursos vagos, falas demagógicas ou promessas impossíveis", apontou.
No primeiro bloco do debate, os candidatos tiveram quatro minutos para fazer a apresentação. No segundo e no quarto, responderam perguntas programáticas elaboradas pela entidade. No terceiro, debateram entre si com direito à pergunta, resposta, réplica e tréplica. O quinto bloco foi reservado para as considerações finais.
Luciana Genro, que antes da reunião-almoço participou do encontro com a diretoria da Federasul (ela é a terceira candidata a apresentar suas propostas em reunião fechada para os dirigentes), também foi quem abriu a rodada de manifestações.
O único pedido de resposta do encontro foi feito por Fogaça a uma colocação de Luciana quanto à intervenção do Ministério Público de Contas do Estado na licitação de prestadora de serviço de recolhimento de lixo pelo DMLU. Durante um minuto, o prefeito registrou que a suspensão foi iniciativa do próprio governo municipal. "A prefeitura revogou a concorrência, de forma que não houve qualquer prejuízo à cidade", alegou.
Outro momento tenso foi quando Rosário criticou a administração de Fogaça. "O maior pecado de sua gestão é a ausência de projetos de futuro". Em resposta, o candidato à reeleição acusou a administração petista pelo insucesso na transferência da Vila Dique para possibilitar a ampliação da pista do aeroporto.
"Foram 20 anos de fracasso. A senhora faz uma análise equivocada. O programa socioambiental, implantado no governo do PT, por exemplo, foi desativado. O Bird considerava-o morto devido à falta de pagamento. Colocamos a casa em ordem depois de um esforço titânico. Hoje o projeto está recuperado e ampliado".
Confira as propostas dos candidatos para os temas que tiveram mais destaque no debate.

Gestão
Luciana Genro sustenta que a tarefa do prefeito é gerir a máquina pública de forma que trabalhe em defesa do interesse dos cidadãos. "Para isso, precisamos acabar com a divisão partidária de cargos. É uma verdadeira sopa de letrinhas para lotear espaços", disse, ao propor o fim das indicações políticas. "Assumo o compromisso de extinguir em 70% os cargos de confiança. Poderemos mudar para melhor com um governo de ação. Precisamos de uma prefeita com coerência e seriedade".
José Fogaça destacou que problemas foram resolvidos durante a sua gestão e que agora a cidade será preparada para o futuro. "Hoje há condições de sonhar, pois há bases firmes para isso. Podemos falar em audácia da esperança. Há, na prefeitura, um modelo de gestão com transparência e eficácia".
O candidato do Democratas criticou a reeleição e defendeu uma gestão que responda às necessidades da população. "Que seja despolitizada e busque os maiores talentos, independentemente do partido. O futuro prefeito deve andar pela cidade e conversar com as pessoas".
Marchezan apontou que o setor público não respeita os impostos pagos pela população, "seja pela ineficiência ou pela corrupção". Manuela, por sua vez, enfatizou a necessidade de recuperar a capacidade econômica e de desenvolvimento. "A marca da administração será de efetiva construção de Porto Alegre como a capital tecnológica do Mercosul. Precisamos de uma administração moderna, ágil, com atitude e compromissos efetivos de diálogo e parceria permanente".
A candidata da Frente Popular disse que vai investir em projetos ambientais na Zona Norte e nas áreas do turismo, serviços e saúde. "Vamos criar centros de bairros nas regiões mais necessitadas e fazer com que Porto Alegre tenha seu pólo de saúde, de pesquisa e tecnologia. Queremos ousar muito integrando as secretarias e organizando a área social".

Investimentos
Todos os prefeituráveis concordam que a Capital gaúcha precisa captar e recuperar sua capacidade de investimentos. Segundo Manuela, Porto Alegre tem uma "política audaciosa de conhecimento e tecnologia" e pode ter uma política municipal de desenvolvimento. "A marca da administração será de efetiva construção de Porto Alegre como a capital tecnológica do Mercosul", informou. Ela também defendeu a desburocratização administrativa. "Nós tornaremos os processos unificados para facilitar os investimentos e criaremos um ambiente favorável ao desenvolvimento de Porto Alegre, com uma Secretaria de Desenvolvimento que unifique os procedimentos e acabe com falsos dilemas", disse.
Luciana adotou linha semelhante: "No meu governo, o conjunto de secretarias vai atuar para estimular os empresários que querem investir, que não vão mais enfrentar filas e burocracia. Forças-tarefas vão aos estabelecimentos ajudar em processos e a regularizar a situação. Temos de trazer planejamento a longo prazo para a cidade, para que nós possamos atrair investimentos e ter o dinheiro público bem aplicado", sugeriu. Temas como mobilidade urbana também mereceram destaque da deputada federal. "Precisamos qualificar o transporte coletivo, criar mais linhas transversais e melhorar os ônibus na periferia. Exigir que o metrô venha para Porto Alegre, não só em época de eleição. E vamos criar o circuito de noite, com microônibus saindo dos bairros para atender aos jovens", destacou.
O prefeito aproveitou o encontro também para falar do Centro Popular de Compras, que irá abrigar os camelôs do centro da cidade. "Uma vez transferidos para lá, estará proibida a cameloagem em qualquer outro lugar. A prefeitura irá agir com energia para evitar o retorno dos camelôs, que receberão orientações técnicas e acompanhamento do Sebrae".

Saúde e educação
Nelson Machezan Júnior propõe a informatização do sistema gestor de saúde na Capital. Segundo ele, "há pessoas nas filas e o sistema não funciona". Ele coloca que a rede de fibra óptica em Porto Alegre precisa ser utilizada. "Só que o poder público não usa e o privado não pode ter acesso", argumentou, acrescentando que, se eleito, irá triplicar o número de postos de saúde da família e o de agentes de saúde. Na educação, diz que Porto Alegre precisa adotar políticas mais ágeis. "A população tem pressa. Estamos ficando para trás em relação às outras capitais brasileiras".
Maria do Rosário falou de sua experiência como professora da rede municipal. Defendeu também a ampliação de escolas técnicas na cidade e mais opções de esporte e lazer na rede municipal. "Temos de ampliar o tempo que a criança fica na escola", completou.

SEGURANÇA
Na área da segurança, Onyx destacou que as cidades que conseguiram melhorar a segurança foram as que ampliaram a condição de vida das famílias. Alem disso, propôs elevar o número de guardas municipais.
Para Marchezan, a prefeitura precisa ter atitude e deve assumir a responsabilidade na área, ao invés de deixar para o Estado. "Segurança é problema da prefeitura". Outra media seria ampliar os investimentos em tecnologia. "Com tecnologia na repressão, teremos atitude".
Luciana defende o esforço conjunto de secretarias com vistas à segurança e prevenção da violência. "Desenvolver programas que interfiram na vida dos jovens, aumentar o efetivo da Guarda Municipal, para que cuide não só do patrimônio mas também das pessoas".
Manuela diz que é preciso cobrar do governo estadual o efetivo que falta na Brigada Militar. "De um lado, necessitamos de atitude. De outro, iniciativa e inclusão social. Segurança é política integrada, ruas iluminadas e investimentos na Guarda Municipal".
As propostas de Maria do Rosário passam pela repressão ao tráfico e aumento do efetivo da Brigada Militar. "Também é preciso oferecer oportunidades de profissionalização com mais escolas técnicas e acolhida às crianças de rua".

Band News (24/07/2008) - Manuela: DIÁLOGO E OUSADIA A

Em entrevistas que concedeu nesta quinta-feira ao programa Atualidade, da Rádio Gaúcha, ao jornal televisivo Band Cidade e à rádio BandNews, a candidata Manuela D’Ávila afirmou que pretende conduzir Porto Alegre a um novo ciclo de mudanças, dialogando diretamente com a população e com os segmentos organizados da sociedade para implementar soluções que a intolerância política, nos últimos 20 anos, foi incapaz de produzir.

Leia, a seguir, o que Manuela disse aos jornalistas e ao público dos três veículos:

Ciclo de mudanças
“Queremos instaurar um novo ciclo de mudanças na cidade - que não vimos acontecer nos últimos 20 anos. Achamos que é preciso união e diálogo para resolver problemas que são centrais na vida dos porto-alegrenses, como transporte público, segurança e saúde. O prefeito deve tomar para si a responsabilidade da segurança pública e enfrentar o problema da falta de prevenção na saúde pública. Eu fui vereadora e sou deputada federal. Portanto, junto com as pessoas que conhecem nossa cidade, como os técnicos da administração, os universitários, empresários e trabalhadores, é possível ter uma administração moderna, ágil, e inaugurar esse novo ciclo de mudanças de que Porto Alegre tanto precisa”.

Comitê Gestor da Copa do Mundo
A candidata à prefeitura abordou ainda a criação do comitê gestor da Copa do Mundo de 2014 como umas das primeiras ações de sua gestão, caso seja eleita. “Porto Alegre não pode perder nenhuma oportunidade de ampliar seus recursos. Além do investimento em infra-estrutura urbana, a cidade ganha com a geração de postos de trabalho no setor hoteleiro e gastronômico”.

Transporte público: metrô e integração
“Há 20 anos temos um debate vazio em relação ao transporte. Vamos adequar o uso do ônibus e outras formas, como o metrô, e com uma reengenharia de trânsito. É preciso integrar programas e não criar contradições que não existem na prática na vida das pessoas”.

Segurança: política social e repressão
“Nosso povo continua com medo enquanto alguns de nós ficam gritando ‘segurança se resolve com inclusão, com inclusão, com inclusão’, e outros ‘com polícia, com polícia, com polícia’. Nós queremos polícia e queremos inclusão”.

Parques tecnológicos: qualificação de jovens e melhoria nos bairros
“Vamos implantar esse projeto em parceria com a universidade, com empresários, com a nossa juventude, que pode se qualificar para isso. A administração municipal vai ser protagonista de um esforço para fazer de Porto Alegre a capital tecnológica do Mercosul. Nosso programa inclui a criação do ISS Tecnológico, que é a garantia de isenção fiscal, com metas de produtividade e de empregos gerados, para que empresas de alta tecnologia se instalem em regiões degradadas da cidade. Inclui também a qualificação profissional dos jovens para que possam trabalhar nessas empresas”.

Orla do Guaíba
“Convivemos, durante 20 anos, com um pensamento muito pequeno em relação ao espaço urbano, porque nós não planejamos as intervenções realizadas em Porto Alegre. O Fórum Porto Alegre – Uma Visão de Futuro, realizado pela Câmara de Vereadores, mostrou vários consensos que existem em nossa sociedade e que as administrações não souberam acolher, como o da necessidade de aproveitamento dos 70 quilômetros da orla do Guaíba e de melhor aproveitamento do cais”.

Diálogo
“É muito fácil unir a iguais ou ficar sozinho e ser dono da verdade. O difícil é superar diferenças e construir um programa comum. Eu não sou uma pessoa intolerante - e acho que a intolerância não produziu e nem produzirá soluções para os problemas antigos que temos. Nós achamos que muitas coisas têm que mudar na cidade, principalmente a atitude da administração, a vontade de pensar grande e a capacidade de realizar obras e de dialogar com toda a população. Nós conseguimos esse diálogo na prática. Quando eu e o Berfran Rosado (candidato à vice-prefeito) discutimos um programa de governo, não ficamos na retórica. Nós fomos para a prática. Superamos as diferenças e passamos a pensar ações inovadoras para resolver os problemas enfrentados pela população de Porto Alegre”.

Comunicação na saúde
“Sobram vagas nos hospitais, enquanto há milhares de pessoas esperando atendimento nos postos. É preciso melhorar a comunicação nos diversos serviços de saúde, organizando e sistematizando as informações de forma mais eficiente”. A candidata afirmou que pretende aumentar as equipes de saúde mental para atender às demandas relacionadas ao alcoolismo e ao consumo de drogas, entre outros problemas. “Precisamos ter pelo menos uma equipe de saúde mental para cada nove de saúde da família”.

Usinas de Reciclagem
Em relação à circulação de carroças na cidade, Manuela apontou como solução a criação de duas usinas de reciclagem, com a finalidade de gerar emprego e renda para os carroceiros, além de evitar a atuação dos “atravessadores” – que perturbam o sistema de coleta e de destinação de lixo - e garantir depósito adequado aos resíduos sólidos recicláveis. “Serão duas soluções para dois problemas”, concluiu.

http://blog.manuela65.com.br/2008/07/page/2/